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ARTIGO

Imigração em Ponta Grossa

A imigração europeia iniciou-se oficialmente na cidade de Ponta Grossa a partir de 1870, com o incentivo do governo brasileiro, embora já tivesse havido anteriormente imigrações estrangeiras espontâneas e esporádicas. A promoção da vinda de europeus para o Brasil era incentivada pelas autoridades, pois eles eram considerados hábeis em técnicas agrícolas e a expectativa era que fariam frutificar as terras do país.

Em novembro e dezembro de 1877, e junho, julho e agosto de 1878, chegaram ao município 2.381 russos-alemães, dos quais 1.646 tinham mais de 10 anos, 461 tinham entre três e dez anos, e 274 menos de três anos de idade. Todos instalaram-se na Colônia Octávio, localidade afastada do centro urbanos de Ponta Grossa, que era dividida em 17 núcleos coloniais. No ano seguinte, muitos deles deixaram a colônia em busca de outras regiões mais férteis, já que o solo local era muito pobre, resultando em colheitas fracassadas. A maioria dos homens tornaram-se lenhadores, enquanto suas esposas e filhas procuravam nó de pinho, que transformavam em carvão, e colhiam areia fina nos córregos, que era vendida nas residências que possuíam assoalhos de madeira para mantê-los limpos.

Nesse período, as colônias foram visitadas pelo Imperador Dom Pedro II, que ouviu as reclamações dos estrangeiros sobre as condições do solo. Os núcleos de Uvaranas, Botuquara, Rio Verde, Floresta, e Guaraúna estavam em estado deplorável, contudo, os considerados como mais promissores eram o Taquari e Moema. Este produzia quatro mil pés de hortaliças, sete e meio alqueires de milho, seis e meio de feijão, 21 de centeio e dois de trigo sarraceno, utilizando como fertilizante o adubo animal.

Já os imigrantes do núcleo Dona Adelaide investiram no transporte, principalmente no da erva-mate. Seus veículos, puxados por oito animais, traziam sacos de mate do sertão até Curitiba, Ponta Grossa e Antonina e levavam para o interior os materiais e mercadorias de consumo. Esses trabalhadores, conhecidos como carroceiros, eram pessoas de confiança do comércio, da indústria, dos estabelecimentos bancários e do governo, pois conduziam valores, documentos, soldados do exército e policiais. Alguns negociavam produtos em suas próprias carroças, o que deu origem a grandes firmas comerciais estabelecidas anos depois em Guarapuava, Prudentópolis, Imbituva, Ipiranga, Conchas e Ponta Grossa.

As terras abandonadas pelos russos-alemães foram ocupadas novamente com a continuação do programa de colonização promovido pelo governo do Estado do Paraná e pela prefeitura municipal. Mesmo com inúmeras dificuldades, imigrantes poloneses, alemães, italianos e de outras nacionalidades que chegaram a Ponta Grossa contribuíram para o seu desenvolvimento econômico. Instalados em regime de pequena propriedade, a atividade agrícola foi explorada de maneira diversificada, e o comércio era o meio de adquirir os produtos que lhes faltavam para subsistência. Entretanto, alguns colonos possuíam profissão, passando a exercê-las na cidade, o que lhes possibilitou acumular capital e abrirem seus negócios.

Outros estrangeiros estavam na cidade na condição de reimigrantes, como Henrique Thielelen, natural da Alemanha, que primeiramente se estabeleceu com a família em Morretes como lavrador. Em Curitiba, foi empregado da fábrica de cerveja Jorge Grossel e depois mudou-se para Ponta Grossa como sócio da empresa, tornando-se mais tarde o dono da fábrica Adriática de Cervejas. Outro exemplo foi o de Eugenio Bocchi, italiano que ao chegar na capital paranaense, em 1896, trabalhou na fábrica de sabão, sabonetes e velas de José Graitz. Depois disso, passou a gerente de uma filial, quando, em 1908, comprou-a.

Com a chegada da estrada de ferro São Paulo – Rio Grande, grande parte da mão de obra estrangeira foi absorvida para sua construção e manutenção. A ferrovia tornou-se no principal meio de transporte da produção, constituindo um fator fundamental para o desenvolvimento comercial da cidade. Nesse cenário, os imigrantes sírios ganharam destaque na produção de fazenda e armarinhos, servindo como principais fornecedores dos empreiteiros da estrada de ferro e da população em geral.

O crescimento urbano de Ponta Grossa absorveu as áreas coloniais situadas nas periferias, formando os bairros de Uvaranas, Dona Luiza, Ronda, Olaria e Moema. A maioria dos imigrantes foi inserida no mercado de trabalho exercendo funções técnicas, como a de marceneiro, carpinteiro, alfaiate, pedreiro, mecânico, carroceiro, açougueiro etc.

Fonte: GONÇALVES, Maria Aparecida Cézar. PINTO, Elisabete Alves. Ponta Grossa, um século de vida. Universidade Estadual do Paraná: Ponta Grossa, 1983.

by The Cities

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