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ARTIGO

Religião em Uberlândia

Uma das maneiras de definir a diversidade cultural do Brasil é através da sua religiosidade. No entanto, ainda somos um país de maioria católica, 74% dos brasileiros consideram-se católicos, segundo dados do censo IBGE – 2000. Ainda que em ritmo pequeno, vem crescendo a proporção de pessoas religiosas que se denominam evangélicas, sobretudo, os evangélicos pentecostais.

A vasta pluralidade religiosa pode ser apontada como característica dos centros urbanos, pois possibilita às pessoas uma maior opção religiosa, com isso uma crescente redução dos que declaram-se católicos apostólicos romanos.

Durante um longo período de nossa história, do Brasil Colônia até a República, a igreja oficial era a Católica, isso devido a um acordo entre o Papa e a Coroa Portuguesa. Havia outras religiões nessa época, mas era apenas permitido o culto doméstico, sendo proibida qualquer outra manifestação pública de sua fé que não fosse a católica.

Por volta de 1814, o trabalho religioso dos protestantes no Brasil restringia-se à distribuição de bíblias e à assistência religiosa aos imigrantes. Em um segundo momento, através das agências missionárias, por volta de 1865, missionários do Sul dos Estados Unidos começam a chegar ao Brasil, fugindo da Guerra Civil Americana, e iniciam um trabalho com ênfase na evangelização dos nacionais e na área educacional, com a organização de diversos colégios, que com um discurso modernizador, atraía parte da elite liberal. O objetivo de formar uma futura elite brasileira, segundo os preceitos da ética protestante, era alcançado.

Outra doutrina que começou a aparecer no Brasil foi o espiritismo. A obra “O livro dos espíritos”, do francês Allan kardec, lançada em 1857, que buscava sistematizar o conhecimento da doutrina espírita, chega ao país pouco tempo depois, por volta de 1867 e, concomitantemente, começa a organização de grupos espíritas. Um dos mais famosos entusiastas dessa nova prática religiosa foi Bezerra de Menezes, que acreditava estar vivenciando o ápice da fé Cristã. Menezes foi muito influenciado pela vivência com o médium João Gonçalves do Nascimento, que praticava curas na cidade do Rio de Janeiro. Muitos adeptos dessa época, no século XIX, insistiam em apregoar como a nova doutrina andava de acordo com os princípios liberais desse período, por isso muitos republicanos e abolicionistas simpatizavam-se com o espiritismo.

Entretanto, em um contexto histórico onde o catolicismo tinha presença marcante na sociedade brasileira, o espiritismo sofreu forte oposição, a qual foi amplamente combatida, sendo criada, em 1884, a Federação Espírita Brasileira. Essa doutrina ganhou um novo impulso com a figura emblemática do médium mineiro Francisco Cândido Xavier, o Chico Xavier. Através de suas obras psicografadas, popularizou ainda mais o espiritismo no país.

Ao longo dos anos tal prática ganhou maior espaço junto a diferentes classes sociais, sobretudo por conta de sua obra assistencial, sendo a caridade um ponto fundamental dessa doutrina, o que acaba por trazer uma visão positiva sobre si.

Com a República em 1889, declarou-se a independência do Estado em relação à Igreja e institui-se a liberdade de culto, com o Brasil sendo declarado um Estado laico, ou seja, isento de vínculos religiosos com qualquer igreja.

Assim, a Diocese de Uberlândia foi criada em Julho de 1961, pela Bula Animorum Societas, do Papa João Paulo XXIII, fruto do desmembramento da Arquidiocese de Uberaba. Seu primeiro Bispo foi Dom Almir Marques Ferreira (1961-1977) e seu atual Bispo D. Paulo Francisco Machado (2008). Essa diocese, além de atender a própria cidade, presta atendimento a outros municípios vizinhos, perfazendo um total de 779.900 habitantes (IBGE – 2007),e dividi-se em 45 circunscrições eclesiásticas: paróquias, quase paróquias e setores. A Catedral é a de Santa Terezinha e há um Santuário dedicado à Nossa Senhora Aparecida. Por iniciativa dessa diocese nasceu a Faculdade Católica de Uberlândia, fruto do esforço de Dom José Alberto Moura, que convidou um grupo de professores que idealizaram o projeto e, em Dezembro de 2001, pela portaria do Ministério da Educação e Cultura (MEC), a instituição foi credenciada.

Uma tradição do chamado catolicismo popular é a Festa do Congado. Em Uberlândia essa festa data de 1876 e tem o seu início no pós-Quaresma até o final do ano. O Congado mistura o catolicismo às suas heranças africanas e une a fé à diversão e os praticantes elegem Reis e Rainhas Congo, ao mesmo tempo em que rezam e louvam, fazem pedidos à Nossa Senhora do Rosário e a São Benedito.

Outras igrejas floresceram em solo uberlandense, como as mais diversas igrejas evangélicas: luteranos, batistas, presbiterianos, metodistas. As igrejas pentecostais, Evangelho Quadrangular e Assembleia de Deus. Os templos da Igreja Universal do Reino de Deus e as igrejas ligadas ao movimento neopentecostal.

O espiritismo continuou a crescer na cidade e, segundo a Aliança Municipal Espírita de Uberlândia, atualmente a cidade conta com 90 centros espíritas e é Sede do Conselho Regional Espírita – Zona Norte do Triângulo Mineiro. Há também os budistas que possuem um centro de Prática Chagdud Gonpa, cuja origem é o Chagdud Gonpa do Tibete, onde existe um monastério que foi fundado no século XV. Os centros brasileiros oferecem ensinamentos e práticas de meditação. Além disso, a filosofia budista, de maneira resumida, prega o amor e a bondade, de tal forma que se possa expressar a amizade e o respeito a todos os seres.

As chamadas religiões afro-brasileiras também se fazem presentes no universo sincrético da sociedade uberlandense, representadas, principalmente, pelo candomblé e a umbanda. O candomblé cultua os orixás, deuses das nações africanas, de língua iorubá, que possuem sentimentos humanos como ciúme, vaidade. Essa prática religiosa chegou ao Brasil nos séculos XVI e XIX, através dos escravos que eram trazidos nos navios negreiros vindos da África Ocidental. Em solo brasileiro sofreram perseguições por parte dos colonizadores portugueses, que consideravam tal manifestação religiosa como feitiçaria. Para sobreviver a tais perseguições começaram a associar os orixás aos santos católicos em um processo de sincretismo religioso. Assim, Iemanjá é associada à Nossa Senhora da Conceição; Iansã à Santa Bárbara, e assim por diante.

Já, a umbanda teve sua origem na mistura de crenças e rituais africanos e europeus. Para a umbanda o universo é povoado de entidades espirituais, os guias que entram em contato com um iniciado, o médium, que os incorpora. Essa prática também mistura elementos do catolicismo, criando identificação com os santos católicos e recebe influência do espiritismo kardecista. Há também a incorporação de elementos dos rituais indígenas e práticas mágicas europeias.

Como pode-se perceber em Uberlândia há espaço para as mais diferentes expressões, que compõem o mosaico cultural e religioso da cidade e que traduz a diversidade religiosa do Brasil.

Fonte: Prefeitura de Uberlândia

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

Portal Diocese de Uberlândia

RIBEIRO, Boanerges. Protestantismo e Cultura Brasileira: aspectos culturais da implantação do protestantismo no Brasil. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1981.

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